quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mesmo com manutenção fácil, Xsara Picasso é criticada por reparadores


Mecânicos reclamam principalmente da dificuldade em encontrar peças genuínas e informações técnicas

O modelo foi o primeiro a ser produzido em linha no complexo industrial da montadora francesa, em Porto Real, no Rio de Janeiro
O Citroën Xsara Picasso foi o primeiro veículo produzido em linha no complexo industrial da montadora francesa, na cidade de Porto Real, no Rio de Janeiro. A Citroën passou a comercializar o modelo no Brasil em 2001 e, atualmente, já vendeu mais de 80 mil unidades no País. A minivan trava uma disputa acirrada pela liderança do segmento de monovolumes médios com a Chevrolet Zafira. De acordo com dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) neste ano foram emplacadas 9.211 unidades do Picasso contra 10.076 do veículo da GM.

A equipe do jornal Oficina Brasil avaliou um Citroën Xsara Picasso 2.0 16V, ano 2005, na oficina Engin Engenharia Automotiva, em São Paulo. O veículo está com 65.000 km rodados, passa periodicamente por manutenções preventivas e aos 40 mil km precisou trocar amortecedores e bandejas.

Análise de gases

O veículo chegou à oficina apresentando falhas em retomadas. A avaliação começou com a análise de emissões de gases e foi possível verificar que a medição de CO era de 0,66% vol., valor superior ao ideal estipulado pela montadora, que é de no máximo 0,50%. A Resolução nº. 7 de 31/08/93 do Conama 7 indica que o limite de emissão deste gás para fins de inspeção de veículos leves do ciclo Otto, produzidos a partir de 1997, é de 1,5%.

Foi realizada a limpeza e equalização dos bicos injetores, além da troca das velas, filtro de óleo, de combustível e óleo do motor.

O líquido de arrefecimento não precisou ser trocado, mas a substituição deve ser feita uma vez por ano. Esse produto é composto por água e aditivo etilenoglicol. A montadora indica o ATX Citroën de coloração amarelada, utilizado na proporção: três litros de água desmineralizada e dois litros de aditivo ATX. A troca evita formação de ferrugem no radiador e superaquecimento do motor.

Apesar de ser um modelo 2005, este carro chegou à oficina com uma vela original de quatro eletrodos, três menores e um maior. "Essa vela é encontrada nos modelos mais novos, de 2005 até os atuais, e só é vendida nas concessionárias", afirma Paulo Aguiar, da Engin. Ele acrescenta que a Bosch e a NGK fabricam velas opcionais para esse veículo, mas não são iguais às originais. A primeira disponibiliza no mercado para este motor (EW10J4) o modelo Sp24 e a segunda fabrica a LFR5B.

O filtro de ar apresentava desgaste e foi substituído. O veículo utiliza um filtro que é composto por uma espuma que não permite que a sujeira retorne. O filtro de pólen também precisou ser trocado por apresentar sinais de desgaste.

Coxins

Outra reclamação do proprietário do veículo era de que o carro apresentava barulho e vibração excessivos, durante a revisão foi constatado que o coxim precisava ser trocado. O reparador deve ficar atento aos coxins, no caso deste veículo, o coxim superior do motor normalmente quebra. Este componente é hidráulico, possui um óleo na parte interna. "A média de vida dele é de 35 a 40 mil quilômetros. Se o carro for utilizado em estradas com más condições, o componente tende a resistir menos", afirma Aguiar.

Sistema de freios

As pastilhas de freios dianteiras foram substituídas por estarem desgastadas, assim como os discos dianteiros que também necessitavam da troca. Os cilindros de roda estavam com vazamento de fluido de freio e exigiram a substituição para a solução do problema.

De acordo com Julio Cesar, da Souza Car, o veículo possui um problema crônico nos pinos de pinça que criam folga e a pastilha fica batendo. Ele conta que este problema é comum, porém o veículo avaliado não apresentava estas falhas.

Por fim, foi realizado alinhamento e balanceamento das rodas. O conselheiro editorial do jornal afirma que indica aos clientes esses procedimentos a cada 15 mil quilômetros.

Veja aqui o check-list.






Análise do editor

Média 6,3

O Citroën Picasso recebeu nota média 6,3, do conselho editorial, sendo muito criticada pela dificuldade de aquisição de peças na rede autorizada, assim como de obtenção de informações técnicas.

Por outro lado, os reparadores afirmam que a acessibilidade para a manutenção é boa, o compartimento do motor oferece espaço suficiente para o profissional trabalhar sem dificuldades, com exceção dos coxins do motor e câmbio, que apresentam nível de dificuldade elevado, segundo o conselho editorial.

No entanto, as dificuldades superaram as facilidades neste modelo. Tanto que dois, dos três reparadores que participaram desta avaliação não recomendam o veículo aos clientes.

Direto do Paredão, a opinião de outros reparadores

Não recomendo. O motor é bom, mas o câmbio tem engates imprecisos, a suspensão é frágil, a embreagem tem pouca durabilidade, os coxins do motor e do câmbio se desgastam prematuramente. Além disso, o consumo de combustível é alto e o carro tem uma retomada muito lenta. O preço das peças é alto e há deficiência na reposição de peças. Os reparadores independentes encontram também um atendimento problemático por parte da montadora. Mas sou otimista, espero que a Citroën cresça num futuro próximo e melhore a qualidade dos produtos.

Dermeval Junqueira - Reparacar - Congonhas (MG)

Índice de Durabilidade e Recomendação

O Citroën Xsara Picasso recebeu apenas nota 6,3 pelo conselho editorial do jornal Oficina Brasil, em escala de zero a 10. Na avaliação, são observados os seguintes itens:

1) Tempo de serviço – facilidade de acesso aos principais sistemas (motor e câmbio, suspensão, direção, freios e parte elétrica)

2) Disponibilidade de peças no mercado de reposição (concessionárias e lojas de autopeças)

3) Custo de peças (concessionárias e lojas de autopeças)

4) Durabilidade dos componentes

5) Processo de diagnóstico

Em termos de engenharia, o carro agrada os reparadores, pois é de fácil acessibilidade aos componentes. Apenas os coxins de motor e câmbio, e o conjunto de embreagem foram alvos de críticas.

O grande problema, no entanto, não é o carro propriamente dito, mas, sim, a marca.
 
Nota: 6
É um carro de manutenção fácil, mas o problema dele é com relação a peças que você fica muito amarrado em concessionária que nunca tem à pronta entrega. Outro ponto negativo é a falta de conforto ao dirigir, por ser um carro muito pesado para o trânsito do dia-a-dia. Normalmente, as mulheres reclamam disso.
Julio César Souza, da Souza Car - (11) 2295-7662 / 2097-9229 - eng.julio@uol.com.br

Nota: 5

Pelo grau de dificuldade de peças deste veículo, mesmo na rede de concessionárias não se encontra à pronta entrega, sendo que o cliente fica muito tempo à espera para reparação. Informação técnica é outra dificuldade, o que dificulta realizar a manutenção.

Danilo Tinelli, da Auto Mecânica Danilo - (11) 5068-1486

Nota: 7

Um problema é na parte das peças que apresentam valores muito caros e só dá para utilizar as peças originais e outro problema para o reparador é a falta de informação técnica disponibilizada.

Paulo Aguiar, da Engin Engenharia Automotiva

(11) 5181-0559 / 5183-3073 - engin.auto@terra.com.br

Avaliação de mercado

A Citroën Xsara Picasso 2.0 16v 2005 manual é o modelo, das duas Picasso, menos oferecido, procurado e disponível no mercado. Representa apenas 10% disponíveis. Os outros 90% correspondem ao modelo automático.

Esse modelo valorizou 0,51% em novembro deste ano, em relação ao mês anterior. Ao comparar o mês de novembro com o mesmo mês do ano anterior houve uma perda de 10,85%.

É um veículo que tem uma procura limitada àqueles que aceitam a marca Citroën, ou seja, é um carro de público restrito. O tempo médio parado à espera de comprador é de 15 dias.

Sindiauto/Assovesp

**Fonte: http://www.oficinabrasil.com.br

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